14 May 2020 COVID19 e mudança do clima afetam cadeia produtiva de arroz - e seus agricultores

A pandemia de COVID-19 reforçou o papel essencial do arroz na garantia da segurança alimentar global e no combate às mudanças climáticas.

A pandemia de COVID-19 reforçou o papel essencial do arroz na garantia da segurança alimentar global e no combate às mudanças climáticas.

O mundo consome muito arroz. Mais de 3,5 bilhões de pessoas têm esse cereal como parte essencial de sua dieta, o que o torna fundamental para a segurança alimentar global e vital para metade da população mundial. Das 820 milhões de pessoas que passam fome atualmente, quase 60% vivem em áreas onde o consumo desse alimento representa mais de 40% de sua dieta anual de cereais. Paradoxalmente, as pessoas que o cultivam são geralmente as que não possuem segurança alimentar. Para mais de 100 milhões de pequenos produtores de arroz, é esse alimento que os tira da fome.

Antes do COVID-19, a grande indústria do arroz já estava enfrentando os impactos das mudanças climáticas. Agora, a pandemia está devastando todo o setor, ameaçando ainda mais vidas e meios de subsistência.

A produção de arroz, os preços e o comércio internacional foram afetados pela pandemia, assim como pelas secas generalizadas. As compras com urgência levaram os países exportadores a impor limites ou proibições às exportações. Ao mesmo tempo, os limites máximos de valor impostos por alguns países levaram à redução do volume de importação. Esses fatores, juntamente com as pausas logísticas causadas pelos lockdowns em diversos países, colocaram em risco mais da metade do suprimento global de arroz, originário especialmente de cinco países-chave. Além disso, os aumentos nos preços estão prejudicando as famílias mais pobres, para as quais o arroz é um alimento básico e responsável pelo uso de quase metade de seus gastos mensais.

Os lockdowns também dificultam a obtenção de insumos essenciais, como sementes, fertilizantes e mão de obra. As plantações já estão em risco devido à falta de mãos de obra nas quarentenas, que obrigaram os trabalhadores migrantes a ficarem em casa. As oportunidades perdidas de plantio e colheita devastarão a produtividade.

Outro fator que também pode ameaçar a produtividade são os idosos, que são mais suscetíveis ao COVID-19,  principalmente considerando o aumento na média da idade dos produtores de arroz atualmente.

O COVID-19 chegou em um momento em que os impactos das mudanças climáticas já comprometiam a segurança de água e alimentos. O sudeste asiático, que fornece 50% das exportações mundiais de arroz, está passando pela pior seca em 40 anos.

"As adversidades no comércio de arroz desencadeadas pelo COVID-19 são uma prévia do que as mudanças climáticas têm nos reservado", disse o diretor executivo da Plataforma Sustentável de Arroz (Sustainable Rice Platform, em inglês), Wyn Ellis. “Em vez de uma ameaça temporária para os agricultores e as cadeias alimentares, os impactos das mudanças climáticas serão duradouros, provavelmente passando por gerações. Essa pandemia mostra como as consequências da falta de ação podem ser devastadoras e como as mudanças climáticas podem intensificar as crises existentes".

As mudanças climáticas agravarão as vulnerabilidades dos sistemas alimentares e da saúde humana. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) está trabalhando em estreita colaboração com seus parceiros, especialmente por meio da Plataforma Sustentável de Arroz, para fortalecer a capacidade e a resiliência dos pequenos produtores a choques atuais e futuros.

A Plataforma, iniciada pelo PNUMA e pelo Instituto Internacional de Pesquisa do Arroz em 2011, é uma aliança de várias partes interessadas, composta por mais de 100 membros institucionais, cuja secretaria está no Escritório Regional do PNUMA para a Ásia e o Pacífico em Bangcoc. A Plataforma visa transformar o setor global de arroz, promovendo a eficiência de recursos e as boas práticas para o clima entre os produtores e as cadeias de valores. Com ela, estão sendo desenvolvidos padrões de produção sustentável, indicadores, incentivos e divulgação para impulsionar a adoção em larga escala das melhores práticas sustentáveis ​​na produção de arroz, bem como para reduzir as emissões de GEE nas fazendas.

Os membros da Plataforma também estão ajudando ativamente na resposta ao COVID-19. Alguns estão alterando as cadeias de suprimento para fornecer equipamentos de proteção individual e sabonetes para os agricultores. A resposta à crise também está fornecendo lições valiosas sobre como lidar com os impactos das mudanças climáticas na produção de arroz. Por exemplo, os agricultores, especialmente as mulheres, têm liderado iniciativas contra o COVID-19, valorizando as práticas de higiene, o que tem levado a Plataforma além do  compartilhamento de conhecimentos, cocriando materiais.

Para nos recuperarmos melhor, os agricultores precisarão se aprimorar para reduzir e impedir os golpes ambientais, sociais e econômicos de longo alcance gerados pelas crises globais. 3,5 bilhões de pessoas dependem disso.

 

Para imprensa, por favor entre em contato

Roberta Zandonai, Gerente de Comunicação Institucional, PNUMA, [email protected]

A natureza está em crise, ameaçada pela perda de biodiversidade e de habitat, pelo aquecimento global e pela poluição tóxica. Falhar em agir é falhar com a humanidade. Enfrentar a nova pandemia de coronavírus (COVID-19) e nos proteger das futuras ameaças globais requer o gerenciamento correto de resíduos médicos e químicos perigosos; a administração consistente e global da natureza e da biodiversidade, e o comprometimento com a reconstrução da sociedade, criando empregos verdes e facilitando a transição para uma economia neutra em carbono. A humanidade depende de ação agora para um futuro resiliente e sustentável.

 

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